DOENÇAS DO BAÇO EM CRIANÇAS

O baço é um órgão que possui duas funções principais: atua como um filtro do sangue, destruindo células sanguíneas velhas e defeituosas, e na defesa do organismo (função imunitária), produzindo células que lutam contra infecções e liberando-as para o sangue. Apesar de sua importância, o baço não é essencial para a sobrevivência. Por outro lado, em algumas doenças, o baço pode não funcionar adequadamente e ser necessário removê-lo, evitando complicações graves.

Algumas crianças são portadoras de tipos específicos de anemia chamadas hemolíticas, entre elas a anemia falciforme, talassemia e esferocitose. Há crianças com estas doenças que podem apresentar o que se chama de sequestro esplênico. Neste caso, o baço retém (“sequestra”) uma quantidade grande e anormal de sangue, destruindo maior quantidade de células (hemácias) do que o normal. Isto costuma ocorrer de forma súbita e representa alto risco para a criança porque os níveis de hemoblogina (pigmento existente na hemácia) caem rapidamente, dificultando, entre outros, o transporte de oxigênio no corpo. Se crianças com anemia hemolítica passam a apresentar episódios recorrentes de sequestro esplênico, elas podem vir a necessitar de uma cirurgia para retirar o baço.

Cisto esplênico

Tomografia mostrando cisto no baço

Outra doença que pode afetar crianças é a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI). Nesta, as plaquetas são destruídas de forma anormal, particularmente no baço. As plaquetas são outro componente do sangue e sua principal função é atuar no processo de coagulação do sangue, interrompendo sangramentos. Em algumas crianças com PTI, pode também ser necessário retirar o baço para controlar a doença.

A cirurgia de retirada do baço é chamada de esplenectomia, podendo ser realizada por acesso convencional ou por videocirurgia. Face aos benefícios da cirurgia minimamente invasiva, a esplenectomia por videolaparoscopia é opção segura em crianças, desde que a equipe de Cirurgia Pediátrica possua experiência nesta via. Antes da realização da cirurgia, independente do acesso, é importante uma avaliação pré-operatória criteriosa pelo cirurgião pediátrico e hematologista, no sentido de reduzir, ao máximo, o risco de complicações durante e após a intervenção cirúrgica.

De forma menos comum, o baço também pode ser acometido por cistos. Quando estes são pequenos, não causam sintomas e são conduzidos conservadoramente, sem necessitar de cirurgia. No entanto, cistos volumosos causam sintomas, como dor, e necessitam de intervenção. Nestes casos, a cirurgia busca tratar o cisto, mas preservando o baço. Também, tal procedimento pode ser realizado por acesso convencional ou por videocirurgia.

Bibliografia

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