Litíase biliar, colelitíase ou calculose biliar se referem à presença de cálculo (“pedras na vesícula”) na vesícula biliar. A ultrassonografia é o exame mais utilizado para o diagnóstico.

Tais pacientes podem ou não apresentar sintomas. A queixa mais frequente é de dor recorrente no lado superior direito do abdome, frequentemente associada a náuseas e vômitos, com piora após ingesta de alimentação gordurosa (cólica biliar). Também, os cálculos podem inflamar ou mesmo causar infecção na vesícula biliar (colecistite), obstruir ou infeccionar o ducto colédoco (trajeto que a bile percorre da vesícula ao intestino), causando as chamadas coledocolitíase e colangite, respectivamente, e, em casos mais graves, produzir inflamação do pâncreas (pancreatite biliar).

A maioria dos cálculos biliares, em crianças, são de colesterol ou pigmentares. 20-40% dos cálculos são relacionados a anemias hemolíticas, como anemia falciforme, talassemia e esferocitose hereditária, que interferem na produção da bile.

Cálculos podem ainda se formar devido a uso de medicações, como cefalosporinas e furosemida, ou nutrição parenteral. Também, podem aparecer em alguns recém-nascidos, sem motivo aparente. Nestas situações, usualmente a criança não apresenta sintomas (assintomática) e tais cálculos costumam desaparecer, não necessitando de cirurgia.

Notadamente quando não há associação com anemias hemolíticas, crianças assintomáticas podem ser acompanhadas, sem serem submetidas a tratamento cirúrgico. Por outro lado, em crianças com sintomas claramente relacionados à litiase biliar, recomenda-se o tratamento, no sentido de evitar complicações. Como em outras afecções, a decisão de acompanhar ou operar uma criança é pactuada entre família, paciente (se já possuir compreensão para tal) e equipe médica, após adequado esclarecimento de riscos e benefícios de cada uma das opções de conduta.

O tratamento mais indicado para a litíase biliar sintomática, em crianças, é a colecistectomia (retirada da vesícula biliar) por videolaparoscopia.