Gastrostomia em Crianças

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Algumas crianças, principalmente com algum déficit neurológico, não conseguem deglutir alimento adequadamente, mesmo com todo o cuidado e atenção de seus familiares. Há crianças que já possuem estes “engasgos” graves logo após o nascimento, outras apresentam piora do quadro com o passar do tempo. Tais alterações podem ocasionar pneumonias por broncoaspiração de repetição, com risco de morte. Nesta situação, além da avaliação clínica pediátrica, é importante abordagem por fonoaudiologista com experiência em crianças, no sentido de determinar viabilidade ou não de manter a alimentação normal por via oral nos meses subsequentes.

De acordo com a avaliação do pediatra, do fonoaudiologista e do cirurgião pediátrico que acompanham a criança, determina-se a necessidade ou não de prover uma via alternativa para alimentação a médio ou longo prazo que, na maioria dos casos, consiste em uma gastrostomia.

A gastrostomia é a colocação de uma sonda diretamente dentro do estômago, através da qual o alimento é administrado.

De acordo com a idade e situação clínica da criança (por exemplo, presença de doença do refluxo gastroesofágico grave associada), a gastrostomia pode ser realizada por acesso endoscópico exclusivo, por videolaparoscopia ou acesso convencional, com riscos e benefícios comuns e específicos a cada um deles. Em caso de possibilidade de realização por mais de um tipo de acesso, a família, previamente esclarecida, decide, junto com a equipe médica, o tipo de abordagem a ser empregada.

Seja no momento do procedimento, seja após algumas semanas, é possível passar a utilizar um botão de gastrostomia no lugar da sonda de gastrostomia usual. O botão costuma trazer mais conforto para a criança, pois a extensão através da qual é administrada a dieta só é conectada nos momentos das refeições ou uso de medicações. Tanto a sonda quanto o botão de gastrostomia necessitam de troca com uma certa periodicidade. Tal permuta não necessita de novo procedimento cirúrgico ou anestesia geral (à exceção da primeira troca de algumas gastrostomias realizadas por acesso endoscópico exclusivo).

Sonda de gastrostomia.
Botão de gastrostomia.

Importante lembrar que, mesmo após a realização da gastrostomia, a maioria destas crianças necessita de seguimento com fonoaudiologista, para manter estímulo à deglutição, mesmo que nenhuma dieta seja mais administrada pela boca. Apenas a saliva pode levar a quadros de broncoaspiração. Além disto, há crianças que recuperam a capacidade de ingerir adequadamente por via oral e a gastrostomia é retirada. Em alguns casos, a atuação inclusive complementar de um médico com especialização em distúrbios orofaringeos graves (normalmente ligados à otorrinolaringologia pediátrica) auxilia na condução destas crianças.