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O câncer em crianças, embora raro, é situação que merece extrema atenção. Há lesões que afetam crianças de tenra idade e outras que acometem adolescentes. As primeiras são particulares da faixa etária pediátrica, com características totalmente diferentes de neoplasias de adultos e as segundas podem ou não ser tumores similares a alguns que acometem adultos jovens.

É comum que, no ínicio do quadro, a criança com câncer não apresente sintomas de gravidade. Não raro, ela ou não possui queixas ou apresenta algumas inespecíficas, dificultando o seu diagnóstico. Além disto, em sua maioria, os cânceres pediátricos não são hereditários ou familiares. Ocorrem, em geral, de forma esporádica, sem uma causa que se possa identificar, e sem, portanto, a possibilidade de prevenção. Desta forma, para aumentar as taxas de cura é importante se buscar o diagnóstico mais precoce possível do câncer pediátrico. Por exemplo, toda criança acima de 1 ano de idade com uma massa (“caroço”) abdominal deve ser avaliada pelo Pediatra para descartar a possibilidade de ser um tumor maligno. 

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70% a 80% das crianças com neoplasias malignas são curadas. Esta taxa global de sucesso tem sido fruto, entre outros, de ação multiprofissional que não apenas trata, mas efetivamente cuida da criança e de sua família. Nos dias de hoje, a preocupação vai muito além de curar, mas também possibilitar a reintegração da criança ao seu cotidiano e cuidados a longo prazo.

Entre outros, por causa do conhecimento mais detalhado sobre os tumores em crianças e suas distinções em relação aos dos adultos e da ação mais eficaz da quimioterapia pré-operatória, as intervenções cirúrgicas deixaram de ser sempre agressivas (“salvar” a qualquer custo) para se tornar mais conservadoras (curar com dano mínimo), com até maior sobrevida do que existia no passado.

O Cirurgião Pediátrico, com experiência e treinamento em Oncologia, atua em parceria com os outros profissionais da Oncologia Pediátrica, no diagnóstico e tratamento de tumores sólidos abdominais e torácicos e ainda em situações particulares que envolvem leucemias, linfomas e outras neoplasias.

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O Cirurgião Pediátrico pode ser chamado a atuar em várias etapas da condução de uma criança com câncer, como:

– Diagnóstico inicial e estadiamento de tumores;

– Avaliação da ressecabilidade antes ou após a quimioterapia;

– Avaliação de doença residual ou suspeita de recidiva;

– Ressecção com intuito curativo de tumores sólidos;

– Complicações após quimioterapia, acometendo abdome, tórax ou partes moles, que exijam cirurgia;

– Implante de cateteres de longa permanência para quimioterapia ou transplante de medula óssea 

  (portocath ou cateter de Hickman/Broviac).

Em algumas das situações acima, é possível realizar a abordagem por Cirurgia Minimamente Invasiva (video-toracoscopia ou video-laparoscopia).

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Tratamento multimodal

Tumor em rim

Portocath: cateter implantável para quimioterapia.

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Os tumores malignos mais comumente abordados pelo Cirurgião Pediátrico são:

Tumor de Wilms – tumor maligno que afeta o rim mais comum em crianças. Em muitos casos, é percebido um “caroço” no abdome da criança em uma consulta de rotina, sem ela apresentar perda de peso. Tratado necessariamente com cirurgia e quimioterapia. Alguns necessitam ainda de radioterapia. Possui altas taxas globais de cura.

Neuroblastoma e suas variantes – passível de ocorrer no abdome, tórax ou região cervical. Alguns podem ser tratados apenas com cirurgia, outros necessitam quimioterapia e radioterapia intensas. Taxas de cura bastante variáveis, dependendo do estadiamento da lesão.

Tumor de células germinativas – podem acometer as gônadas (ovário ou testículo) ou sítios extra-gonadais (região sacro-coccígea, mediastino, retroperitônio etc). Tais lesões podem representar teratomas maduros, imaturos ou mistos ou lesões não-teratoma, como disgerminoma, tumor de seio endodérmico e coriocarcinoma. Alguns destes são tratados apenas com cirurgia (incluindo, quando possível, preservação da gônada), outros necessitam de quimioterapia adicional.

Hepatoblastoma – tumor maligno primário que afeta o fígado mais comum em crianças. Tratado usualmente com cirurgia associada a quimioterapia. Possui características bem distintas dos tumores malignos primários de fígado mais comuns dos adultos (hepatocarcinoma).

– Sarcomas de partes moles – tumor maligno que pode acometer locais variados. O Cirurgião Pediátrico usualmente aborda-os quando acometem tórax, abdome (notadamente trato urinário e retroperitônio), genitália (usualmente vagina) e região para-testicular, em crianças. Do ponto de vista histológico, figuram aqui, entre outros, os rabdomiossarcomas, o sarcoma de Ewing/PNET e os fibrossarcomas. Também, tratados com cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, ainda, radioterapia.

Linfoma – neoplasia maligna que acomete os linfáticos (“gânglios”). Pode ser encontrado em várias partes do corpo, como região do pescoço, tórax e abdome. Dividem-se em linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin. Usualmente, o papel do Cirurgião Pediátrico, nos linfomas, não é retirar a lesão por completo, com finalidade de tratar, mas obter uma amostra da doença para diagnóstico. O tratamento do linfoma é realizado fundamentalmente por quimioterapia, em alguns casos, associada a radioterapia e, em menor percentagem, necessitando ainda de transplante de medula óssea.

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